É assim que funciona o amor



O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. 
O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. 
O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.
                                                                                                    Carlos Drummond de Andrade


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Nós, os responsáveis pelo caos




A iniquidade, que é a banalização do crime, não é o estranho privilégio de um partido político, de uma Nação ou de uma raça em especial. Esta catastrófica confusão é o resultado da miséria que há em cada um de nós, a permissividade com que tratamos os pequenos crimes que testemunhamos sem nos envolver para contrariá-los, já que estávamos sempre ocupados com coisas "mais importantes".

Sem compreender o problema individual, nunca compreenderemos o que está acontecendo no Brasil  e no mundo e, por isso, tampouco teremos capacidade de conduzir as coisas ao destino mais feliz possível. Sendo nós mesmos os que provocamos a miséria do mundo e sua iniquidade, é inútil buscar um sistema político que resolva as coisas por nós. Sendo nós mesmos os responsáveis pelo caos, nós teremos de transformar a nós mesmos em entidades melhores.v

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Quer saber?...eu sou demissexual, sim




*Lidia Amendola


Este texto é uma narrativa baseada na minha experiência (de uma demi hétero-romântica [olha outro termo aí!] o que não significa que todos os demis sejam assim). O espectro da área cinza é gigantesco e minha intenção aqui não é definir a demissexualidade, mas sim contar como ela é pra mim, ou seja, falar de uma nuance. O assunto é bem complexo e tem muitos textos ótimos e completos que, esses sim, trazem uma explicação bem detalhada sobre o assunto. Este texto é uma introdução "lúdica" ao assunto.

Dias desses uma amiga veio falar comigo no WhatsApp:

— E aí? Tudo bem? Como tá na França?

— Oi, tudo bem e aí? Aqui tá tudo certo, muito frio. (:

— Que bom! Mas, e os gatinhos?

— Nem pensei nisso. Tô trabalhando bastante, bem feliz com o estágio.

— Nossa, mas não rolou nem uma paquerinha?

— Hum... não.

— Nossa, como você é calma.

Então, não é calma. Eu sou demissexual, mas por mais que eu tente explicar, ninguém entende. Mais do que não entender, tem gente que não respeita.

Esses termos são relativamente novos e ninguém é obrigado a saber, isso não é ignorância. Ignorância é não querer saber. É achar ridículo, achar que é bobagem, que tem cura, que dá pra mudar. Não. Nasci assim, tô muito bem com isso e não quero mudar.

Mas, afinal, o que é ser demissexual? Tia Lidia te explica.

Sendo (bem) breve, nesse mundão em que vivemos, temos 3 tipos de pessoas:

1. As alossexuais: aquelas que sentem atração sexual por outras pessoas. Elas olham uma pessoa > acham essa pessoa atraente > ficariam com essa pessoa.

2. As demissexuais: aquelas que só sentem atração sexual por outras pessoas caso tenham algum tipo de ligação emocional / psicológica / intelectual.

Cenário a) Ela olha uma pessoa > não sente nada. Pode ficar com essa pessoa? Pode, mas não sentirá nada. Não será prazeroso pra ela. Algumas pessoas se esforçam e ficam mesmo assim. Mas a experiência pode ser tanto indiferente como incômoda. Sempre que me esforcei me senti um pedaço de carne no açougue.

Cenário b) Ela olha uma pessoa > ela conhece essa pessoa > elas conversam > elas criam uma ligação (afeto) > essa pessoa passa a ser atraente para o demissexual.

3. As assexuais: aquelas que não sentem atração sexual at all! Elas podem se apaixonar, mas jamais sentirão atração por alguém.

O "problema" é que vivemos em um mundo alossexual, que espera que você também seja.

— Mas, espera, nem se o cara for muito, mas muito gato você sente atração? Tipo, se o cara mais gato do mundo estivesse aqui, agora, você não ficaria com ele?

Então, não se trata da beleza da pessoa. Abrindo um parêntese aqui: nós achamos pessoas bonitas, achamos certos tipos de corpos bonitos e tudo mais. Mas tipo, só. É bonito, mas se eu simplesmente não sei quem é o cidadão, eu não sinto nada. É bonito, ponto.

Pode acontecer de eu achar que o cara é o cara da minha vida. Vai rolar assim de cara? Nop. Lindo, inteligente, gente boa. Mas, calma, essa boquinha aí também foi feita pra falar, então, fala!

Como eu ia dizendo, não é a beleza que determina. Você pode colocar o Sebastian Stan pelado na minha frente.

Se você não conhece, este é o Seb:

Sebastian Stan, ator romeno-americano.
-Mas, então, nem ele?

De cara, não. Pode ser, digamos, assim: Oi, Sebastian, aceita um vinho? Não tenho cerveja, é que eu não curto muito, sabe? Então, tá em Paris de passagem? Cê acredita em astrologia? Qual foi o sonho mais doido que você já teve? Qual seu sabor de sorvete favorito?

E o Sebastian, se quiser, pode entrar no jogo. Jogar conversa fora. Me falar da vida dele. Me contar daquela vizinha sem noção. Da maior merda que ele fez na vida. Dar risada. E então ele pode se tornar um cara atraente, mas por aquilo que ele é.

Sabe, eu nunca fiquei com aquele cara.

— Que cara?

Aquele do show do Strokes. Não sei o nome dele. Ele tava com uma blusa do Joy Division. Gatinho...

Mas, não, não aconteceu. Mas, sabe com quem aconteceu? Com aquele cara que sei o nome e sobrenome. Aquele cara que eu sei que sua cor favorita é verde, sua fruta favorita é melancia, que ele caiu e quebrou os dois braços ao mesmo tempo quando tinha 7 anos, que ele foi um filho planejado, mas sempre acharam que ele era uma menina. Aquele que sei que mora na rua da faculdade, que gosta de Beatles e seu álbum favorito é Sgt. Pepper's, mas que ele só começou a gostar depois de velho. Aquele que conhece Wallflowers, porque a gente falou sobre isso em uma dessas caminhadas sem destino pela cidade. Ou será que foi naquela vez que fomos tomar uma cerveja? Aah, já sei! Foi naquele dia que fomos no pub modinha do centro. Falando nisso, foi bem engraçado, tava rolando a maior DR na mesa do lado.

Entende?

Ele me atrai. E não me atrai por saber se ele estará aqui amanhã ou não. Se ficamos uma noite ou se ficaremos uma vida inteira. Me atrai saber que enquanto esteve aqui, estava comigo não pelo fato de eu ser mulher, mas pelo fato de eu ser eu. Lidia. 25 anos. Nascida e crescida em Santo André. Cor favorita: roxo. Gosta de cozinhar. Adora animais, mas tem nojo de pombos. Fala palavrão pra caralho. Se deu muito mal quando tentou andar de patins e bicicleta ao mesmo tempo. Adora luzes de Natal. Gosta do céu. Queria ser pilota de Fórmula 1, mas desistiu porque não tinha dinheiro. Descobriu depois de velha que o anarriê da festa junina era uma palavra em francês. Odeia conversas de elevador e fazer média com as pessoas. Pediu demissão do chefe. Trabalha 24h por dia se deixar. Que, não parece, mas além de demissexual é tímida. E que, mesmo te achando bonito e gente boa, não vai ficar com você por ficar. Que pode demorar um mês pra criar um laço contigo, ou apenas algumas horas.

É difícil ser assim?

É sim. Ainda mais nessa sociedade moderna que parece que disputa quem se interessa menos. Ainda mais quando você se interessa por pessoas extremamente alossexuais. Você não pode chegar falando: "oi, sou demi, não encosta muito em mim não, tudo bem?". Você gostaria de corresponder, mas simplesmente não consegue porque não faz sentido pra você. Então elas pensam que você não está a fim e tchau oportunidade de conhecer alguém legal.

Eu sempre ficava com uma sensação meio bosta de "olha eu estragando tudo de novo". Mas com o tempo você se aceita. Isso é o que você é, se o outro não entende talvez ele não queira entender. Talvez ele estivesse ali pela mulher e não pela Lidia (acontece muito, quase sempre... acho que sempre).

E também porque a gente SEMPRE quebra a cara. Demis precisam do "apego" pra se envolver, então não importa a intensidade da ligação, pra se quebrar a cara basta que ela exista e, pra nós, ela sempre existe.

Então, sabe, a gente já é obrigado a lidar com tantas coisas. Tantos sentimentos e pensamentos conflituosos. Poupe-nos de seus "mas...". Entenda que neste mundo existem pessoas diferentes de você, pessoas que acham o colega do escritório mais atraente do que o Stephen Amell e isso não faz delas melhores ou piores que ninguém, tá?v

                                                                                                                   Um beijo pra vocês. 


*Lidia Amendola é designer-publicitária. Mestranda em mídias digitais na França.

⁞⁞ Via Huffpost Brasil
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De Sócrates a Neymar




Depois do marquetineiro "choro" do Neymar ao fim da partida Brasil-Costa Rica, na Copa da Russia, Éric Cantona, um dos mais grandes jogadores da França e da história do futebol, publicou no seu Instagram uma foto de nosso saudoso Sócrates acompanhada de uma instigante frase:
"Sem mais trapaças. 
Sem mais lágrimas de crocodilo. 
Sem mais narcisismo. 
Vamos amar o Brasil 
como nós costumávamos amá-los".


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Os retirantes do século 21




Pesquisa Datafolha aponta que cerca de 70 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais deixariam o Brasil se tivessem condições para emigrar. O estudo foi feito em todo o território nacional durante o mês de maio último e 20.090 pessoas de 139 municípios foram consultadas.

Segundo a pesquisa, 43% da população adulta manifestou seu desejo de fazer as malas e ir embora do país.Os números são mais dramáticos entre os jovens: seis em cada dez brasileiros entre 16 e 24 anos sonham em ir embora; a porcentagem vai até um surpreendente 62%. São 19 milhões de jovens desencantados que deixariam o Brasil hoje mesmo, o equivalente a toda a população de Minas Gerais. O êxodo não fica apenas na intenção. O número de vistos para imigrantes brasileiros nos EUA, país preferido dos que querem se mudar, foi a 3.366 em 2017, o dobro de 2008, início da crise global.

Entre as pessoas com curso superior, o índice sobre para 56%. Na divisão por classe social, o desejo é mais forte entre os mais ricos: 51% dos entrevistados das classes A e B manifestaram essa vontade. Dos representantes da Classe C, o índice é 44% e da classe D são 30% que querem ir morar em outras pampas.

E para onde querem ir os brasileiros? Estados Unidos, Portugal e Canadá são os países mais citados. Em resposta espontânea, os Estados Unidos foram citados por 14% e Portugal por 8%. Já o Canadá é o destino escolhido por 3% dos participantes da pesquisa.

Como foi que o país descambou e deu nesses dados alarmantes o Datafolha não explica. Até pouco tempo atrás as coisas eram bem diferentes. O que foi aconteceu?


Brasil é o 12do. país mais feliz do mundo 
Essa era a  notícia veiculada pelo G1 da Globo em julho de 2010, dando conta que uma pesquisa Gallup feita pela revista Forbes em 155 países. O ranking era liderado pela Dinamarca, seguida de Finlândia, Noruega, Suécia e Holanda.

O estudo foi feito a partir de entrevistas realizadas entre 2005 e 2009. As perguntas, segundo a revista, levavam os entrevistados a avaliar sua satisfação geral com suas vidas.

Depois, fazia perguntas específicas a respeito do passado recente. As perguntas levavam a classificar os entrevistados em três graus de satisfação, indo da felicidade ao sofrimento.

No Brasil, 58% dos entrevistas disseram-se felizes, 40% disseram estar "na batalha" e apenas 2% disseram estar sofrendo. A "nota geral" ficou em 7,5. Assim, o país ficou em 12do. lugar empatado com o Panamá e logo à frente dos Estados Unidos.

Os pesquisadores chegaram à conclusão, segundo a revista, que a resposta no que diz respeito à satisfação geral estão relacionadas com a riqueza do país. Mas, no que diz respeito ao passado recente, ela reflete mais a satisfação das necessidades psicológicas e sociais, e não necessariamente o bem estar econômico.

Em poucos anos, alguma coisa profunda que excede os aspectos econômicos mudou radicalmente em nosso Brasil. Talvez podamos achar alguma resposta mergulhando no tsunami de junho de 2013, quando aquelas massas heterogêneas de jovens pós-modernos ganharam a rua e mandaram um recado contundente à classe dirigente. Os resultados da pesquisa Datafolha parece indicar que, até hoje, a mensagem não foi escutada. Será que já é tarde demais ou será que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente e a esperança vai continuar a dançar na corda bamba, de sombrinha...v

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Caldos, o melhor remédio contra o frio




            “ Feliz seria a terra se todos os seres estivessem unidos 
                   pelos laços da benevolência e só se alimentassem 
                        de alimentos puros, sem derrame de sangue. 
                         Os dourados grãos que nascem para todos 
                      dariam para alimentar e dar fartura ao mundo.”
                                                               Buda


O inverno do hemisfério sul já está aqui e teremos muitos dias e muitas noites frias pela frente. Nessas horas sentiremos falta de um alimento quente e nutritivo. Por isso, preparar receitas de caldos vegetarianos no dia a dia é uma ótima opção. Além de esquentar e alimentar, esse tipo de comida traz inúmeros benefícios para a saúde. Em nosso cardápio vegeta desta Segunda Sem Carne temos dois deliciosos caldinhos: um de abóbora e outro de ervilha. Para você valorar quanto de bom pode resultar estas receitas, a nutricionista Tanara Stumpf Trenz nos brinda com interessantes dicas sobre as qualidades dos dois caldos. E ainda você vai conferir que são muito simples de fazer.

Caldo de abóbora
Segundo Tanara, a abóbora possui baixa quantidade de calorias, além de ser uma boa fonte de fibras, vitaminas e minerais. O vegetal contém fito nutrientes que mantêm a saúde da pele e ajudam a impedir os malefícios causados pela luz solar. Ainda tem ação anti-inflamatória, ajuda a reduzir problemas renais, melhora os níveis de triglicerídeos e auxilia também quem sofre de constipação intestinal. A abóbora tem efeito laxante e é depuradora de tóxicos intestinais que elevam a pressão arterial. Facílimo de preparar, vai aqui a simples receita para começar a experimentar logo:

Caldos quentes para o frio do inverno
Ingredientes:
- 3 xícaras de abóboras em cubos com casca
- ¼ de cebola
- ½ dente de alho
- ¼ xícara de azeite de oliva
- 1 colher (sopa) de mel
- 1 colher (sopa) de shoyu
- 1 colher (sopa) de suco de limão
- Ovos picados a gosto
- Salsinha e cebolinha a gosto

Modo de preparo:
Cozinhe a abóbora em cubos em 800ml de água. Depois de cozinhar, junte 200ml do caldo com a cebola, o alho, o azeite, o mel, o shoyu e o limão no liquidificador. Triture até obter uma consistência de creme.

Quando estiver na consistência desejada, acrescente a abóbora e coloque mais 100ml da água do cozimento. Misture o sal, ovos, salsinha e cebolinha conforme o gosto.

Caldo de ervilha
Para fazer receitas de caldos, a ervilha é uma ótima opção. A nutricionista explica que além de ser pouco calórico, esse grão é um poderoso antioxidante, ou seja, combate os radicais livres responsáveis pelo ataque celular e, consequentemente, o envelhecimento precoce.

Esse grão contém sais minerais como cálcio, fósforo, ferro e potássio, além do enxofre, substâncias responsáveis pela formação dos tecidos. A ervilha ainda é rica em proteína de origem vegetal, vitamina A (importante para formação óssea), vitamina K (que ativa a absorção de cálcio), vitaminas do complexo B (que contribuem para produção de energia) e vitamina C (antioxidante natural que contribui para os processos de cicatrização).

Caldos quentes para o frio do invernoAlém de possuir ácido fólico (substância importante para a formação de novas células e funcionamento do sistema nervoso), o grão também é rico em fibras solúveis, que vão controlar o colesterol e a liberação de açúcar no sangue, além de diminuir a absorção de gordura ruim. Confira a receita:

Ingredientes:
- 500 g de ervilha seca
- 1/2 cebola picada
- 2 dentes de alho espremidos
- 2 colheres (chá) de azeite de oliva

Modo de preparo:
Lave a ervilha e deixe-a de molho por cerca de duas horas. Em uma panela de pressão, cozinhe a cebola, o alho e a ervilha por cerca de 20 minutos. Retire o grão cozido da panela, tempere com sal e ervas e  bata no liquidificador. Coloque em uma tigela e sirva.v

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A Rússia é aqui





        A Copa só é do mundo
                                    porque se fosse daqui                                                                                                        nunca iria embora.

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A majestade finge que não é com ele...



Governo Temer  é considerado 
ruim ou péssimo por 82% dos brasileiros
-Datafolha, junho 2018-

Um bandido, se fazendo passar por um alfaiate de terras distantes, diz a um determinado rei que poderia fazer uma roupa embora muito cara tão bonita como jamais vestiu. Mas que apenas as pessoas mais inteligentes e astutas poderiam vê-la. O rei, muito vaidoso, gostou da proposta e pediu ao bandido que fizesse uma roupa dessas para ele.

O bandido recebeu o pagamento por adiantado e vários baús cheios de riquezas e um monte de rolos de linha de ouro, seda e outros materiais raros e exóticos, exigidos por ele para a confecção das roupas. Ele escondeu o dinheiro e todos os tesouros e ficou em seu tear, fingindo tecer fios invisíveis, que todas as pessoas alegavam ver, para não parecerem estúpidas.

Até que um dia, o rei se cansou de esperar e ele e seus ministros quiseram ver o progresso do suposto alfaiate. Quando o falso tecelão sinalizou para a mesa de trabalho -que estava vazia- e disse "aí está sua roupa, quase pronta" , o rei exclamou: "Que lindas vestes! Fizeste um trabalho magnífico!", embora não visse nada além de uma simples mesa, pois dizer que nada via seria admitir na frente de seus súditos que não tinha a capacidade necessária para ser rei. 

Por sua parte, os nobres ao redor, para que  ninguém achasse que eram incompetentes ou idiotas, soltaram falsos suspiros de admiração pelo trabalho do bandido. Quando o falso alfaiate garantiu que as roupas logo estariam completas, o rei resolveu marcar uma grande parada na cidade para que ele exibisse as vestes especiais. 

Chegada a hora ele fez de conta que se vestiu com as roupas e seus colaboradores faziam de conta que as viam. E assim saiu à rua mas ninguém ousou falar coisa alguma sobre o que estava olhando. A única pessoa a desmascarar a farsa foi uma criança que, em toda sua inocência, gritou: "Olha, olha, o rei está nu!". Aí sim, o grito é absorvido por todos. "O rei está nu!","o rei está nu!"... 

Ouvindo a gritaria, o rei se encolhe, suspeitando que a afirmação é verdadeira, mas se mantém cegado em seu orgulho e continua a procissão como se nada demais acontecesse.v 


(Síntese livre de A roupa nova do Rei, um conto de Hans Christian Andersen). 

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A mídia no fim dos tempos





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"O futebol pragmático do Tite não empolga"




Paulo Cezar Caju é um homem de bom gosto futebolístico. Quando adolescente, se deleitava vendo da beira do campo os treinos do Botafogo de Nilton Santos, Garrincha, Didi, Amarildo, Quarentinha e Zagallo comandados por seu pai adotivo, Marinho Rodrigues. Depois, como jogador de fino trato com a bola, fez parte de esquadrões como o Botafogo de 1968 com Jairzinho, Gérson, Roberto Miranda e Rogério, a Seleção de 1970 (foi titular nos jogos contra Romênia e Inglaterra) e a máquina do Fluminense de 75/76 com Rivellino, Carlos Alberto Torres, Dirceu, Doval, Pintinho, Gil e outras feras.

Por ter jogado com tantos craques (a favor e contra, como gosta de ressaltar), ele não admite meios-termos quando fala de futebol: ou o time joga bem, com técnica e ousadia, ou ele lhe vira as costas. “Deixei de me importar com o Botafogo, meu time do coração, faz tempo por causa disso. Há quantos anos não temos um time que dá gosto ver jogar? Esse negócio de time guerreiro ou de jogar por uma bola não é comigo”.

Firme em suas opiniões, como deixava claro nas colunas que escrevia às terças-feiras no saudoso Jornal da Tarde e produz hoje em O Globo, Caju diz que não se empolga com a atual Seleção por não ver nela o estilo brasileiro que, em sua opinião, desapareceu dos anos 90 para cá. “Vivemos na época do futebol pragmático, da eficiência, de dar a bola pro adversário. Dá pra entender isso? Ao invés de ficar com a bola e jogar, os times a dão pro adversário. Que loucura!”, diz, e solta uma gargalhada.

A seguir, as opiniões polêmicas de Paulo Cezar Caju, que em junho completará 69 anos e divide seu tempo entre Florianópolis, onde vive, e Rio.

Você gostou da lista de convocados do Tite para a Copa do Mundo?
Não me entusiasmou nem um pouco, como não me entusiasma a sua Seleção. Não gosto do jeito de jogar do time, é uma continuação da decadência do futebol brasileiro que começou nos anos 90 e que nos afasta cada mais vez das nossas origens. O que eu vejo não é o futebol brasileiro, por isso não vou torcer para o Brasil na Copa. Aliás, faz tempo que não consigo torcer para o Brasil. Vou torcer para quem estiver jogando o futebol mais bonito, eu gosto é de futebol bem jogado.

Na sua opinião o que levou o Brasil a se afastar de seu estilo?
Esse processo começou em 90, com o Lazaroni, e ganhou força definitiva em 94 quando o Parreira ganhou a Copa (em 94 nos Estados Unidos) com um time que era a antítese do futebol brasileiro. Vai me desculpar, mas um meio-campo com Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho não representa o futebol brasileiro. Era um meio-campo defensivo, cuja função era proteger a defesa e não criar jogadas. O time tinha oito jogadores para defender e dois definidores excepcionais na frente que eram Bebeto e Romário. Ganhou apertado dos Estados Unidos, empatou com a Suécia, depois ganhou apertado da Suécia na semifinal, não fez gol em 120 minutos na final e se deu bem nos pênaltis. Foi a vitória do futebol pragmático, da ideia de que primeiro é preciso defender. É a aposta na eficiência: a gente não toma gol e um dos dois lá da frente acha um para ganharmos. Demos o azar de ganhar aquela Copa com um time duro de ver, e aí a praga do futebol de resultados se alastrou até tomar conta de vez do nosso jogo. Futebol brasileiro não é isso, é drible, é tabelinha, é chapéu, é caneta… Hoje se você põe o adversário na roda e dá um balãozinho dizem que é desrespeito e querem te bater. Uma chatice!

Copa 1974. Caju enlouquecendo zagueiros da Alemanha Oriental.

Então a origem do mal é a Seleção de 94...
Com o título ganho pelo Parreira houve uma invasão de professores de educação física ocupando o cargo de treinador, gente que não pode aprimorar os fundamentos do jogador porque não sabe bater na bola, não sabe dominar, se posicionar… O futebol do Rio, que tinha irreverência e leveza, foi contaminado por esse jogo sem graça e feio, mais parecido com a escola gaúcha. E tome técnico gaúcho na Seleção: Felipão, Dunga, Mano, Tite… Antes a gente treinava pra envolver o adversário, pra atacar. Hoje ninguém quer a bola, porque não sabe o que fazer com ela. É melhor deixá-la com o adversário e tentar fazer o gol quando ele errar. Os técnicos treinam para o time se defender e tentar arrumar uma bola parada. Ao invés de apostar na bola rolando, apostam na bola parada! Para piorar o quadro, junto com os professores de educação física vieram o que chamo de “analistas de computador”, os comentaristas que adoram números, teorias e termos ridículos como “ligação direta”, “jogador agudo” e “leitura de jogo”. No meu tempo ligação direta era o que o ladrão fazia para roubar o carro sem precisar da chave, ligava um fio no outro e ia embora.

Você não acha que a Seleção melhorou em relação ao que era com o Dunga como técnico?
Melhorou, mesmo porque não dava para piorar. Mas o conceito é o mesmo, de muito cuidado com a defesa e pouca criatividade. O Tite mudou alguns jogadores, trouxe de volta o Marcelo, que para mim é craque e não jogava com o Dunga, os resultados melhoraram e em consequência disso o clima também melhorou. Mas é a escola gaúcha dominando. E não vamos nos iludir com os resultados nas Eliminatórias, porque o nível da competição foi bem fraco. Copa do Mundo é outra história.

Caju, vamos voltar à lista do Tite: por que você não gostou?
Olha, dos 23 chamados eu só vejo dois craques: Marcelo e Neymar. E na Seleção eles ainda não renderam numa competição o que rendem nos clubes, é bom que se diga. Copa do Mundo é torneio de tiro curto, você precisa ter no campo e no banco o maior número possível de jogadores com capacidade para decidir uma partida. Temos bons jogadores como Willian, Coutinho, Douglas Costa… Mas tem gente que não sei o que vai fazer na Rússia.

Por exemplo?
Em primeiro lugar, não gosto dessa panela do Corinthians. Começa com o Edu Gaspar, aí vem a comissão técnica,  o Cássio, o Fágner, o Renato Augusto, o Paulinho… O Renato Augusto está morto lá na China, o Paulinho virou reserva do Barcelona. Mas o pior é o Fágner, achei um absurdo a convocação dele. É um cara desleal, um “assassino”, entra com maldade. Ter um cara como ele no grupo não combina com o discurso de jogo limpo do treinador.

E o CasemiroMuita gente considera ele fundamental para o equilíbrio do time...
Só pode ser brincadeira, né? Tecnicamente é muito fraco. É mais um desses volantes que marcam, matam jogadas com falta e não jogam, isso virou moda no Brasil dos anos 90 para cá. Tem quem goste, mas não é o meu caso. Eu gosto é de futebol jogado com técnica, não me canso de repetir.

E o Taison?
O Taison vai lá para quê, vai entrar quando? Quando o time estiver perdendo nas quartas de final a 15 minutos do fim? Claro que não! Se o jogo complicar não dá pra colocar Taison, Renato Augusto…

Gabriel Jesus ou Firmino?
O Firmino evoluiu no Liverpool, se entende bem com Salah e Mané, mas acho que não é um jogador top, de nível para brilhar numa Copa do Mundo. Gosto muito do Gabriel Jesus, tecnicamente ele é muito bom. Precisa ganhar malícia para evitar os choques, porque me parece um pouco frágil e muito sujeito a se machucar.

Caju com Rivellino na Máquina Tricolor

De primeira, Caju: quem ficou fora da lista e você levaria?
O Luan, fácil. Se jogasse lá fora, num Shakhtar Donetsk da vida, acho que teria mais chances de ser chamado. É criativo, joga solto, é inteligente, não se esconde e vem jogando com muita confiança.

O Tite virou uma espécie de “salvador da pátria”, suas decisões raramente são contestadas... O que você acha?
Uma grande ilusão. A imprensa ajudou muito a criar essa imagem, vendendo para o público que agora vai, rumo ao hexa, essas bobagens… Já falei, ele escolheu os jogadores melhor do que o Dunga, mas é adepto do futebol pragmático também. Para ser sincero, acho o Tite um grande oportunista. Apoiava o Bom Senso, metia o pau na CBF, pedia a renúncia do Del Nero e acabou de beijos e abraços com ele na frente das câmeras. Ele é bom de papo, um cara esperto, seduz as pessoas com aquela conversa, aquele dialeto que ele fala. Dizem que é o “Titês”, mas eu chamo de “Chatês”. Ser oportunista é moda no Brasil. Não temos um presidente que não foi eleito e fala em se reeleger? (risos).

Caso Tite não fique depois da Copa, um comentário aponta Renato Gaúcho como sucesor...
Pelo amor de Deus, só pode ser brincadeira… Acho uma grande injustiça darem ao Renato todos os méritos pelos bons resultados recentes do Grêmio. Quem deu a cara pro time foi o Roger Machado!. Ele pegou um time que não jogava nada na mão do Felipão, que foi recebido de braços abertos pelo clube mesmo depois do 10 a 1 na Copa do Mundo, e mudou completamente o jeito de jogar. Passou a ser um time leve, de toque de bola, com jogo coletivo, um time agradável de se ver.

Você acabou de elogiar o Roger Machado, e ele  é gaúcho, Caju…
É uma exceção. O Roger foi um lateral forte fisicamente, não muito técnico, mas como treinador gosta de times técnicos, que joguem bola.

Vamos falar de outros técnicos da nova geração, Caju. O que acha do Fernando Diniz?
Gosto muito dele, a sua proposta de jogo casa com o que penso sobre o futebol. Nada de rifar a bola, de zagueiro dar chutão. O problema que ele tem no Atlético Paranaense é o nível da mão de obra, não dá para sair jogando com a bola limpa se você não tem jogadores com qualidade técnica para isso. Se o zagueiro passou a vida dando chutão vai sofrer para mudar de estilo, e quando for apertado vai faltar recurso para se virar, aí perde a bola e sai o gol. Aliás esse problema do nível dos jogadores atrapalha muito os times brasileiros. É difícil jogar bem sem ter jogadores com qualidade para fazer isso.

E o Alberto Valentim, do seu Botafogo?
É outro que sofre com a mão de obra que tem, tanto que o melhor do time é o goleiro. Mas gosto de ver como ele trabalha para organizar o time. Agora, esperar bom futebol com os jogadores que ele tem é pedir demais. Eu também gosto do Cuca. Mesmo tendo uma queda por volantes que jogam pouco ele costuma armar times que jogam bem. E acho que o Vanderlei Luxemburgo deveria voltar a ter espaço, ele conhece muito e melhora o jogador. O grande problema dele é que bate muito de frente com a imprensa, como eu batia quando jogava.

E o Fábio Carille?
Não gosto. Acho muito chato ver o Corinthians jogar, é outro técnico que pensa mais na defesa. Faz um gol e se tranca. Bom, o Gabriel é titular do time dele, isso diz muita coisa. Conheço bem o Gabriel de quando jogou no Botafogo, é aquele jogador que é o primeiro a ser substituído quando o time precisa jogar bola.

1980. Júnior Marvin, Jacob Miller, Paulo Cézar Caju e Bob Marley. Reggae e pelada na casa do Chico Buarque.

O que acha de comentários do tipo “fulano não jogaria hoje porque há menos espaço do que antigamente”?
Alguns dizem que eu sou saudosista... saudosista coisa nenhuma, é inegável que o nível do futebol brasileiro era muito melhor até os anos 80. Quem conhece futebol sabe disso. Irrita ouvir que um Gérson não jogaria hoje porque os jogadores de agora correm 12 quilômetros numa partida ou que o Pelé não faria mil gols, mas também é motivo para darmos risada. Os craques de antigamente jogariam fácil no meio desses cabeças de bagre. A prova de que o nosso futebol está muito chato é que as pessoas preferem ver os jogos da Europa do que os daqui, porque os melhores jogadores e treinadores estão lá.  No meu tempo os clássicos levavam mais de 100 mil pessoas ao Maracanã, hoje é uma tristeza ver um clássico pra 10, 12 mil pessoas. Se os jogos fossem de alto nível o público seria muito maior.

Falando de Copa do Mundo: vai torcer pra quem, Caju?
Como já falei, pra quem jogar o futebol mais bonito e agradável de se ver. Pode ser a Alemanha, a Espanha, a França… A França tem ótimos jogadores, o problema é o treinador. O Deschamps é do time dos que gostam do futebol pragmático, por isso foi mandado embora do meu time, o Olympique de Marselha. O torcedor lá gosta de bom futebol. Eu estava na França durante a Eurocopa e vi os jogos, o time jogou muito menos do que poderia ter jogado. Portugal, que foi campeão, não me agrada. Chegou aos trancos e barrancos, empatando um monte de jogos e avançando na prorrogação ou nos pênaltis. Não é o melhor time da Europa e não vejo com chances na Copa. Gosto muito da Bélgica, tem jogadores muito habilidosos como De Bruyne e Hazard, mas o centroavante destoa. O Lukaku não é um atacante fino, não fala a língua dos outros. É como o Serginho na Seleção de 82. Se o Lewandowski fosse belga cairia como uma luva no time.

Você gosta do Mbappé?
Tem muito potencial, mas comete muitos erros de finalização e às vezes é meio burrinho, toma a decisão errada. Com o tempo vai evoluir, ele é muito novo.

E a Argentina? Tem chance?
Acho que não. Gosto do Sampaoli, ele é um discípulo do Bielsa e gosta de times que atacam e jogam bem, mas pegou o bonde andando e assumiu com a corda no pescoço pelo risco de não se classificar. Não dava para pensar em jogar bonito naquelas circunstâncias, e acho que não vai dar tempo de fazer o time jogar como ele gostaria. Não vejo um sul-americano ganhando a Copa, aposto que o campeão será um europeu.v

⁞⁞ Via Chuteira FC
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